O valor no cartaz é a parte que não interessa. O que decide se um bónus lhe dá dinheiro ou lho tira são quatro números que estão sempre escritos, sempre em letra pequena, e que se resolvem numa conta de trinta segundos. Aqui está essa conta, feita passo a passo, para a fazer sozinho da próxima vez.
Aplicámos o cálculo de cima aos dez casinos que seguimos e ordenámos pelo que interessa: o multiplicador. Estes são os três em que o custo de cumprir as condições fica mais próximo do valor do próprio bónus — ou seja, aqueles em que a conta não sai do avesso. A lista completa está na tabela da página inicial.
Quando um casino lhe dá €100 de bónus, esse dinheiro entra numa carteira à parte. Não pode levantá-lo. Para o libertar, tem de apostar um determinado múltiplo do valor — é isso o rollover, também chamado requisito de apostas ou wagering.
Com rollover 35x, aqueles €100 obrigam-no a apostar €3.500 antes de poder tocar no que resta. Não quer dizer perder €3.500: cada aposta que ganha volta ao saldo e é reapostada. Quer dizer que o dinheiro tem de dar €3.500 de voltas pela casa — e a casa cobra uma pequena percentagem em cada volta.
É esta, e serve para qualquer oferta que lhe apareça à frente:
Custo esperado = valor apostado × (100% − RTP do jogo)
A slot média devolve cerca de 96%. Ou seja, come 4% de tudo o que passa por ela. Aplique aos dois casos:
Perceba o que isto significa: o bónus doze vezes maior é o pior negócio dos dois. E isto é a versão otimista, porque assume que aguenta apostar cem mil euros dentro do prazo sem escorregar em nenhuma das regras que vêm a seguir.
Estão todos nos termos da promoção. Se algum deles não estiver lá, isso por si só já é um sinal.
1. O multiplicador. Abaixo de 30x é bom, 35x é o normal do mercado, acima de 40x raramente compensa. Mas atenção à variante traiçoeira: há casas que aplicam o rollover ao bónus mais o depósito. Se depositou €100 e recebeu €100, um «35x» transforma-se em €7.000 de apostas em vez de €3.500. Procure a expressão «bónus + depósito» ou «D+B» nos termos.
2. A aposta máxima por rodada. Enquanto o bónus está ativo, quase todos os casinos limitam a aposta a €5. Passar disso — mesmo uma única vez, mesmo sem querer, mesmo com a função de rodadas automáticas — costuma dar direito ao cancelamento do bónus e de tudo o que ganhou com ele. É a razão número um de reclamações, e o sítio onde o casino tem sempre razão porque estava escrito.
3. O prazo. Normalmente 30 dias. Cruze-o com o multiplicador antes de aceitar: apostar €100.000 em trinta dias são mais de três mil euros por dia, todos os dias. Não é para pessoas com emprego.
4. A contribuição por jogo. As slots costumam contar 100%. A roleta conta 10% ou 20%. O blackjack e o vídeo póquer contam quase sempre zero. Se pensava cumprir o rollover no blackjack porque tem melhor margem, não vai — e a maior parte das pessoas descobre isso a meio.
Além dos quatro números, há três detalhes que aparecem sempre nas mesmas conversas.
O método de depósito que anula a oferta. Em vários operadores, depósitos por certas carteiras ou por criptomoeda não dão direito ao bónus. Está nos termos, ninguém lê, e o bónus simplesmente não aparece. Verifique antes, não depois.
O limite de levantamento sobre ganhos de bónus. Algumas ofertas — sobretudo as de rodadas sem depósito — limitam o que pode levantar a €50 ou €100, por muito que tenha ganho. O resto evapora-se na conversão.
Cumprir o rollover e não dar por isso. Quando o requisito fica cumprido, o saldo de bónus passa a saldo real. Vá vendo o contador na área de promoções; há gente a continuar a jogar sob as restrições da aposta máxima muito depois de já não precisar.
Vale quando três coisas acontecem ao mesmo tempo: o multiplicador está em 35x ou abaixo, aplica-se só ao bónus e não ao depósito, e o prazo dá para cumprir sem transformar o jogo em segundo emprego. Se as três se verificarem, o bónus é tempo de jogo extra pago pela casa — que é exatamente o que devia ser.
Não vale quando o número é enorme. Um pacote de cinco dígitos repartido por quatro depósitos com 40x é uma peça de publicidade, não uma oferta. Serve para aparecer nas comparações. Ninguém o converte.